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Lewis Hamilton e a prova de que a inspiração não tem idade

  • Foto do escritor: fale415
    fale415
  • 17 de jun.
  • 4 min de leitura

No último domingo, 14 de junho de 2026, Lewis Hamilton venceu sua primeira corrida pela Ferrari.

A internet parou.

Mas a minha história com Hamilton começou muito antes disso.

Começou em 2007.

Quando o mundo recebia o primeiro piloto negro da Fórmula 1 na era moderna. Aquilo me marcou profundamente. Depois da morte de Ayrton Senna, acompanhei muito pouco da categoria. A Fórmula 1 perdeu parte do brilho para mim. Mas Hamilton fez a paixão voltar.

E logo na estreia ele mostrou a que veio. Não foi campeão por apenas um ponto. Isso mesmo: um único ponto.

Ali ele já parecia dizer ao mundo: "Não vim para brincar."

E eu fiquei ainda mais fã.

Então chegou 2008.

Seu segundo ano na Fórmula 1.

Naquele domingo, Felipe Massa venceu o GP do Brasil e, por alguns segundos, foi campeão do mundo. O país inteiro comemorava. A Ferrari já celebrava nos boxes.

Então, na última volta, na última curva, Lewis Hamilton fez a ultrapassagem que lhe garantiu o primeiro título mundial da carreira.

E eu vibrei.

Vibrei muito.

Confesso que talvez mais do que muitos brasileiros naquela tarde.

Não porque eu torcesse contra Felipe Massa. Nunca torci.

Mas porque havia algo naquele jovem piloto que me fazia acreditar.

Um homem negro.

Filho de uma família simples.

Sem o sobrenome tradicional do automobilismo.

Sem o caminho mais fácil.

Tentando vencer em um dos ambientes mais elitistas do esporte mundial.

Ali eu não estava vendo apenas um piloto.

Eu estava vendo uma possibilidade.

Foi naquele momento que começou uma admiração que atravessaria os anos.

Ao longo do tempo, acompanhei suas vitórias, derrotas, polêmicas, posicionamentos e sua coragem de ser exatamente quem é.

Deixei o cabelo crescer e usei tranças inspirado nele.

Temos muitas tatuagens.

Passei a acompanhar tudo o que ele fala e faz.

Me emocionei quando ele pilotou a McLaren de Ayrton Senna em Interlagos carregando a bandeira do Brasil.

Mas o que mais me inspirou nunca foi a estética.

Foi a autenticidade.

Foi a coragem de se posicionar.

Foi a disciplina.

Foi a capacidade de ocupar espaços sem pedir licença.

Existe uma curiosidade que sempre me faz sorrir.

Lewis Hamilton nasceu em 7 de janeiro de 1985.

Eu nasci em 7 de janeiro de 1979.

Compartilhamos o mesmo dia de aniversário.

E ele é seis anos mais novo do que eu.

Talvez por isso exista uma lição ainda mais bonita nessa história.

Nem sempre os mais velhos inspiram os mais novos.

Às vezes acontece exatamente o contrário.

Às vezes alguém mais jovem nos mostra o tamanho dos sonhos que ainda podemos perseguir.

Não estou me comparando a Lewis Hamilton.

Nossas trajetórias são completamente diferentes.

Mas reconheço que parte da minha caminhada foi influenciada pela dele.

Sou um homem negro.

Saí de Recife.

Venho construindo uma carreira sólida há mais de duas décadas no marketing.

Me tornei gestor, empreendedor, palestrante e escritor.

Criei projetos, empresas, comunidades e sonhos.

Corri provas que um dia pareciam impossíveis.

E continuo correndo.

Nas ruas.

Nas maratonas.

Na vida.

Hoje, ao vê-lo vencer pela Ferrari, percebo como essa história ganhou um novo capítulo.

Não apenas para ele, mas também para quem acompanhou sua trajetória desde o início.

Existe uma teoria chamada Seis Graus de Separação, que diz que qualquer pessoa no mundo está conectada a qualquer outra por uma corrente de, no máximo, seis pessoas.

Quem sabe?

Talvez exista uma corrente invisível entre mim e Lewis Hamilton.

Espero que sim.

Mas a verdade é que Lewis jamais lerá este texto.

Jamais saberá quem eu sou.

Ainda assim, ajudou a construir parte da pessoa que me tornei.

Está nos meus planos que, em 2027, eu esteja em Interlagos realizando mais um sonho: assistir a uma corrida de Fórmula 1 ao vivo e ver esse cara acelerar uma Ferrari.

Até lá, sigo fazendo o que aprendi observando sua trajetória.

Continuar avançando.

Mesmo quando parece difícil.

Mesmo quando parece improvável.

Mesmo quando ninguém imagina que seja possível.

Obrigado, Lewis.

Por mostrar que a inspiração não tem idade.

Não tem fronteiras.

E, às vezes, veste vermelho.

Mas já vestiu prata, preto e branco.

No fim, a cor nunca foi o mais importante.

O mais importante sempre foi a clareza com que você perseguiu os seus sonhos.

Talvez seja por isso que eu me identifique tanto com a sua história.

E talvez seja por isso que a vitória daquele domingo tenha me emocionado tanto.

Muita gente enxergou apenas a primeira vitória de Lewis Hamilton pela Ferrari.

Eu enxerguei algo maior.

Enxerguei mais um capítulo de uma trajetória construída contra as probabilidades.

Uma trajetória que começou com um jovem negro, filho de uma família simples, entrando em um esporte onde quase ninguém acreditava que ele pudesse chegar.

E que, quase vinte anos depois, continua encontrando novas formas de surpreender o mundo.

Quando muitos diziam que ele estava fora da disputa, ele respondeu da única forma que sabe: acelerando.

Quando muitos acreditavam que seus melhores dias haviam ficado para trás, ele vestiu vermelho e voltou a vencer.

E, como se isso não bastasse, ainda superou Michael Schumacher e se tornou o recordista isolado de vitórias no Circuito de Barcelona-Catalunha.

Mais um recorde.

Mais uma conquista.

Mais uma página escrita em uma carreira que parece se recusar a aceitar limites.

Talvez seja isso que eu mais admire em Lewis Hamilton.

Não os títulos.

Não os troféus.

Não os números.

Mas a capacidade de continuar sonhando depois de já ter conquistado tudo.

A capacidade de continuar evoluindo quando o mundo espera acomodação.

A capacidade de continuar escrevendo novos capítulos quando muita gente acredita que a história já terminou.

Como não admirar alguém assim?

Salve, Sir Lewis Carl Davidson Hamilton.

 
 
 

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