Quando você subestima, o mercado te ensina.
- Léo Lourenço
- 17 de jul.
- 2 min de leitura
Atualizado: 20 de jul.
A maior lição da última Copa do Mundo talvez não tenha acontecido dentro de campo.

Ela aconteceu na transmissão. Durante décadas, assistir à Copa significava assistir à Globo. Era um hábito construído ao longo de gerações. Parecia inabalável.
Até que, por uma decisão estratégica, a Globo abriu mão da exclusividade de boa parte das partidas. Milhões de pessoas passaram a assistir aos jogos pela CazéTV. E aconteceu algo que pouca gente imaginava.
As pessoas descobriram que existia outra forma de narrar futebol.
Outro ritmo.
Outra linguagem.
Outro jeito de conversar com quem estava do outro lado da tela.
No início, muita gente estranhou. Era diferente. Parecia exagerado. Parecia barulhento demais.
Mas, aos poucos, aquilo que era estranho virou familiar.
O hábito mudou.
A Copa acabou.
E o público continuou lá.
A ponto de a CazéTV registrar algumas das maiores audiências da história do YouTube no Brasil e conquistar um espaço que antes parecia impossível.
A lição não é sobre televisão.
É sobre liderança.
Há quase vinte anos lidero equipes.
E existe uma crença que sempre me acompanhou:
Sem esconder.
Sem guardar segredo.
Sem medo de formar alguém melhor do que eu.
Porque conhecimento não é patrimônio.
É legado.
Quanto mais ensino, mais aprendo.
Quanto mais compartilho, mais amadureço.
Quanto mais preparo alguém, mais forte a equipe fica.
Nunca tive medo de perder espaço porque ensinei alguém.
Mas sempre tive medo de outra coisa.
Da arrogância.
Porque ensinar nunca foi o problema.
O problema sempre foi subestimar.
Existe uma enorme diferença entre compartilhar conhecimento e desprezar a capacidade do outro.
Você pode ensinar tudo.
O que não pode é acreditar que ninguém será capaz de alcançar você.
O mercado muda.
As tecnologias mudam.
As pessoas mudam.
E experiência, sozinha, não garante relevância.
Conheço profissionais com vinte anos de carreira que pararam no tempo.
E conheço profissionais com dois anos de mercado que entendem muito mais sobre o presente do que quem passou décadas acumulando experiência.
Não porque sejam mais inteligentes.
Mas porque estão conectados com a realidade de hoje.
A pior armadilha para qualquer líder é acreditar que seu passado garante seu futuro.
Não garante.
O respeito se conquista todos os dias.
A relevância também.
Olhe para seus concorrentes.
Aprenda com eles.
Observe o que fazem bem.
Copiar nunca foi o caminho.
Ignorar também não.
Quem subestima o concorrente costuma ser surpreendido por ele.
Quem respeita o concorrente evolui junto com o mercado.
Por isso continuo acreditando na mesma filosofia.
Ensine tudo o que você sabe.
Forme pessoas.
Prepare sucessores.
Faça quem trabalha com você crescer.
Seu conhecimento jamais será o motivo da sua queda.
Sua arrogância pode ser.
No fim das contas, o verdadeiro risco nunca foi ensinar demais.
O verdadeiro risco sempre foi acreditar que ninguém seria capaz de fazer diferente.
Ou fazer melhor.




Excelente conteúdo, Léo. A crença de que se sabe tudo e que sua história de vida, até aquele momento é responsável por ser a verdade absoluta, o deixa com pontos cegos e na maioria das vezes leva tempo para se mostrar … até que alguém o faça existir. Por isso é importante as trocas de ideias e a sede de entender cada vez mais seu mercado e os mercados que o influenciam.
Como costuma dizer Flávio Augusto, “o maior problema não é aquilo que você não sabe, mas aquilo que você não sabe que não sabe”. Muitas decisões equivocadas não são tomadas por falta de inteligência ou de boa intenção, mas pela incapacidade de perceber que existem informações, riscos …
Texto relevante e oportuno!