Sem marcas, as pessoas vivem. Sem pessoas, as marcas morrem.
Branding centrado nas pessoas: marcas precisam entender gente
Durante muito tempo, tivemos um marketing centrado no produto. Depois, no consumidor. Mais tarde, ampliamos a conversa para valores, propósito e para a compreensão de que aquele consumidor é, antes de qualquer coisa, uma pessoa.

O centro de gravidade mudou.
E talvez algumas marcas tenham esquecido disso.
Não estou dizendo que o cliente tem sempre razão.
Não, não tem.
Mas ele tem algo muito mais importante: poder de decisão.
Tem gente que compra no mercadinho porque é onde o dinheiro cabe.
Tem gente que compra porque fica ao lado de casa.
Tem gente que parcela em três vezes porque a prestação cabe no bolso.
Tem gente que entra numa loja porque sente que pertence àquele ambiente.
E tem gente que olha para outra e pensa:
“Essa loja não é para mim.”
Talvez nem saiba explicar por quê.
Preço. Praça. Comunicação. Posicionamento. Segmentação. Experiência. Tudo isso é marketing.
Os 4Ps continuam importantes.
Mas existe um detalhe: nem todo comportamento de consumo é provocado pelo marketing. Seria arrogância demais dar a ele esse poder.
Pessoas são atravessadas por cultura, renda, família, geografia, experiências, afetos, necessidades e dezenas de outras variáveis.
E é aí que começa a inversão.
Por mais extraordinário que seja seu produto, sua loja ou sua comunicação, tudo isso só possui sentido porque existe alguém disposto a consumir.
Sem marcas, as pessoas vivem.Sem pessoas, as marcas morrem.
Só que algumas marcas parecem agir como se fosse o consumidor que precisasse se adaptar a elas.
Produtos são feitos para pessoas.
Serviços são feitos para pessoas.
Marketing é feito para pessoas.
E, por isso, conhecer profundamente o produto já não basta.
O empreendedor e o profissional de marketing precisam ampliar repertório.
Precisam entender de comportamento, tecnologia, games, diversidade, movimentos sociais, cultura, novas formas de consumo e das transformações que acontecem todos os dias diante deles.
E, pasmem, precisam ao menos saber que existem coisas chamadas ghosting, farmou aura, cringe, delulu, biscoitar, tankar, red flag, green flag, POV, NPC, rizz, sus...
Não para sair falando assim.
Por favor, não façam isso. 😂
Mas para entender o mundo em que as pessoas estão vivendo.
E talvez, quando você estiver lendo este texto daqui a algum tempo, metade dessas expressões já tenha desaparecido.
Melhor ainda.
Não são essas palavras que precisamos decorar.
É o movimento que precisamos aprender a observar.
A linguagem revela cultura.
E cultura interfere no consumo.
Entender uma geração não significa imitá-la.
Compreender uma pauta não significa concordar com ela.
Conhecer uma linguagem também significa saber quando não usá-la.
Talvez uma das competências mais importantes de quem trabalha com marketing hoje seja permanecer intelectualmente curioso.
Porque o cliente não existe isolado.
Ele participa de comunidades. É impactado por algoritmos. Consome e produz conteúdo. Aprende novas palavras. Abandona outras. Admira. Critica. Recomenda. Cancela. Volta atrás.
Muda.
E marcas precisam aprender a ler esse movimento.
Talvez o marketing tenha deixado de ser apenas gestão de mercado para ser também leitura de mundo.
Os 4Ps continuam lá.
Mas existe um mundo inteiro acontecendo ao redor deles.
É preciso conhecer o produto.
É preciso conhecer o tempo em que esse produto existe.
É preciso conhecer o mundo em que essa marca pretende sobreviver.
E, acima de tudo, é preciso continuar conhecendo pessoas.
Porque ferramentas, plataformas, algoritmos e tendências mudam.
Uma regra, não:
sem pessoas, não existe marca. https://www.leolourenco.com.br/post/o-superpoder-que-todo-marketeiro-gostaria-de-ter




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